Projeto de acolhimento da Prefeitura do Rio pretende atender 92% da população em situação de rua até o fim de janeiro

acolhimento
Foto Erbs Jr.

G1 – 21/12/2023

O plano ‘Seguir em Frente’ conta com medidas de acolhimento e tratamento. De acordo com Daniel Soranz, a expectativa de vida desta população é de 41 anos.

A Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou na manhã desta quinta-feira (21) um novo plano de ação para atender a população em situação de rua da cidade. Chamado de “Seguir em Frente”, o conjunto de medidas conta com iniciativas de acolhimento, assistência social e atendimento em saúde. As informações também foram publicadas no Diário Oficial do Município.

O plano é elaborado com base em fases que possibilitem a saída das vias. São 7.865 pessoas em situação de rua, de acordo com o último censo municipal. A expectativa da prefeitura é que, até o fim de janeiro, 92% desta população esteja em uma das etapas do programa.

“Nossa intenção é valorizar as pessoas que mais precisam do Estado brasileiro, as pessoas que mais precisam de cuidado. E a gente sabe que, muitas vezes, essas pessoas não conseguem ter o atendimento necessário”, disse o secretário municipal de saúde, Daniel Soranz.

Ele destacou que a expectativa de vida média da população em situação de rua no Rio é de 41 anos, enquanto a expectativa média do carioca é de 77 anos. Soranz ressalta que um dos objetivos do programa é fazer com que as pessoas que buscam auxílio nos abrigos permaneçam neles.

“A gente tem uma dificuldade imensa de fixar as pessoas em situação de rua nos nossos abrigos e caminhar com essas pessoas para a frente”, afirmou o secretário.

Daniel Soranz disse que esta parcela da população está sete vezes mais sujeita a problemas de saúde mental.

Bombom, líder de moradores de rua e de ocupações no Centro do Rio, disse que a situação atual dos abrigos é muito complicada, com “percevejos, falta de roupas, falta de alimentos e algumas agressões”.

Luna Arouca, da Redes da Maré, avalia que o tratamento feito pela instituição envolve o consentimento dos atendidos.

“O que a gente observa é que o melhor tratamento é aquele feito em liberdade, com consentimento das pessoas”, ponderou ela.

Plano

Na primeira fase do programa está previsto o acolhimento, oferecendo a possibilidade de saída das ruas. Uma das medidas para facilitar o processo de aceitação é que os espaços municipais de acolhimento passarão a aceitar animais de estimação.

“O animal de estimação é, muitas vezes, um dos poucos vínculos de afeto que ele tem na sociedade”, explicou Soranz.

Todas as pessoas que sofram alguma forma de intoxicação ou ofereçam risco à própria vida devem ser socorridas pelo Samu.

Internação compulsória

Nos casos de internação involuntária, a Secretaria Municipal de Saúde deverá informar o caso aos órgãos de fiscalização como Ministério Público (MPRJ) e Defensoria Pública.

Em novembro, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o poder municipal estava preparando uma proposta para a internação compulsória de usuários de drogas que ficam nas ruas da capital fluminense. Em uma postagem nas redes sociais, ele disse que pediu que o secretário municipal de saúde iria elaborar uma medida.

Paes abordou o tema dias depois que um homem foi vítima de um latrocínio nas areias da Praia de Copacabana.

Ao g1, Soranz afirmou que a ideia é que as internações aconteçam por um tempo curto, de forma a iniciar o tratamento de pacientes em situação grave e que não possuem condições de responder pelos próprios atos.

O médico Drauzio Varella chegou a criticar a medida.

PAR

Uma série de locais que serão inaugurados foram planejados para dar apoio para esta parcela da sociedade. O projeto se chama Ponto de Apoio na Rua (PAR).

“Ele tem o objetivo de servir como ponto de apoio e criação de vínculo com a população em situação de rua. O objetivo é que as pessoas, em qualquer lugar da cidade, se tiverem que acolher alguém, as levem para alguma unidade de abrigamento ou para estes pontos”, disse o secretário.

Daniel Soranz recomendou que, inclusive, as pessoas que desejem realizar alguma atividade de acolhimento e caridade, como doação de roupas e alimentos, realizem nestes pontos.

acolhimento
Foto Erbs Jr.
Busca por independência

A segunda fase consiste no tratamento de doenças e possíveis dependências desta população em clínicas da família.

A terceira fase consiste no oferecimento de uma ocupação para que a pessoa atendida saia da rua e possa prover a própria independência.

E em seguida, na quarta fase, está a possibilidade de aprender uma ocupação para que possam buscar um futuro melhor e um lar permanente.

Leia também: Comissão aprova projeto que garante acesso da pessoa com deficiência à telerreabilitação pelo SUS

 

Leia também

Pular para o conteúdo